Inauguremos esta versão do “Morfismo ↔ Matemática Sem Dúvidas” com um problema de Cálculo Diferencial. Na medida do possível, publicaremos pelo menos um post por semana. O ideal seria um por dia!!! Mas escrever sobre matemáticas leva tempo e temos que ter paciência para selecionar conteúdos que sejam de interesse da maioria.
» Problema: Dada uma função contínua, suponha que existam
funções
de classe
tais que
sejam de classe
. Mostre que se
são linearmente independentes para todo
, então a função
é de classe
.
Este problema é uma aplicação do Teorema da Função Inversa (TFI)¹. Na solução, usamos a continuidade da função para garantir que a imagem inversa, por
, de um aberto de
é um aberto em
. Além disso, usamos o fato de os vetores
formarem um conjunto L.I. para nos assegurar que o Jacobiano de uma função, a ser definida, é diferente de zero [onde o Jacobiano de uma função
em
é dado por
]
» Solução: Considere a função dada por
, para todo
. Então
é de classe
, pois suas funções coordenadas o são. Agora escrevendo
tem-se
é de classe
, uma vez que cada
é de classe
(por hipótese!).
Dado que são linearmente independentes, para cada
, temos que
. Logo, pelo TFI a restrição
é um difeomorfismo local de classe
, ou seja, existe um aberto
de
contendo
tal que
é um difeo
, o que implica que a função
é de classe
.
Considerando o aberto [
é contínua e
é aberto] e sabendo que a composta de funções de classe
é ainda uma função
, então a função
é
.
Até a próxima!
¹Consulte a página Teorema !
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