A Lenda do Problema Insolúvel


Quem nunca ouviu falar da história do gênio precoce que, no 1º ano da Faculdade, resolveu uma equação que “nem Einstein era capaz de resolver” porque chegou atrasado à aula? Eis uma lenda acadêmica que, de forma aproximada, abaixo se reproduz:

Um jovem estudante da Faculdade estava a estudar intensamente para uma exigente cadeira (disciplina) de Matemática. Na noite antes do exame final ficou estudando até muito tarde, de forma que chegou atrasado ao exame.

Quando entrou em sala, viu três problemas escritos no quadro. Resolveu os dois primeiros sem grandes dificuldades, mas o terceiro parecia intratável, não cedendo a quaisquer técnicas. Finalmente, dez minutos antes de o exame acabar, encontrou um método que funcionava. Resolveu o problema e entregou o exame completo.

Nessa noite o aluno recebeu um telefonema do professor. “Sabe o que fez hoje no exame?”, gritou o professor. O aluno, intimidado, achou que ia levar uma enorme reprimenda por ter feito erros grosseiros.

“Só os dois primeiros problemas faziam parte do exame. O terceiro era um exemplo de uma equação que todos os matemáticos desde Einstein tentaram resolver – sem sucesso. Referi isso antes do exame. E você resolveu-o! Entrou para a história da Matemática!”

Há muitas versões da “Lenda do Problema Insolúvel”. O tema do aluno que chega atrasado à aula ou exame é constante. Por vezes, o número de problemas é 10, dos quais os dois últimos são insolúveis. Por vezes trata-se de um trabalho de casa e não de um exame. Por vezes a história é apimentada com certos pormenores, como o de o estudante pertencer a uma classe social baixa ou a uma minoria étnica. A referência a Einstein faz também parte desta peça de folclore acadêmico.

Se você gostou dessa lenda e deseja saber a verdadeira história, tem que ler o livro “Da falsificação de Euros aos Pequenos MundosNovas Crônicas das Fronteiras da Ciência” do Jorge Buescu, editora Gradiva.

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5 respostas em “A Lenda do Problema Insolúvel

  1. O Maurício já respondeu!

    Essa história aconteceu com George Dantzig, autor do método simplex (utilizado para solucionar problemas de programação linear). Há um texto bem legal sobre isso na revista Matemática Universitária (da SBM) escrita por Alfredo Noel Iusem, pesquisador do IMPA e aluno do Dantzig. Infelizmente eu não me lembro em qual número da revista.

    A primeira versão que eu ouvi dessa história foi que um professor meu tinha passado por isso (falso é claro !!!). Depois eu ouvi outras 15 (exagero) versões.

  2. Pingback: Estatísticas 2008 « Morfismo

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