Avaliação Trienal 2013 da pós-graduação em matemática


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Texto atualização às 23h de 10/12/2013.

O objetivo deste post é dar uma visão geral do cenário atual da pós-graduação em matemática no Brasil, com base nos dados da Avaliação Trienal 2013, divulgada hoje, 10 de dezembro, pela Capes.

Com o intuito de organizar melhor o texto, apresento as informações em três etapas:

  1. Sobre a avaliação: explico de forma resumida o significado de cada nota; os objetivos da avaliação; e a situação atual (conquistas e desafios) da área Matemática/Probalidade e Estatística;
  2. Análise Quantitativa: quantidade de programas de mestrado (acadêmico ou profissional) e de doutorado; e a distribuição percentual e numérica dos programas por região e estado.
  3. Análise Qualitativa: notas dos programas; distribuição percentual e numérica das notas; comparação com avaliações anteriores; maiores notas; e tabela completa com as notas.

Antes de passarmos aos dados em si, gostaria de lembrar que no final do mês passado elaborei um infográfico que reuniu as principais informações dos programas de pós-graduação em matemática pura do Brasil (veja este post), referentes às avaliações trienais anteriores.

É também importante salientar que as informações que se seguem são baseadas nos dados referentes à área ‘Matemática/Probabilidade e Estatística’ e não somente matemática pura, como anteriormente. Note, por outro lado, que dentro da grande área Ciência Exatas e da Terra, há também os programas da área Probabilidade e Estatística, os quais não serão contemplados aqui.

Sobre a Avaliação 

Os resultados da avaliação periódica destes programas são expressos em notas, numa escala de 1 a 7, que são atribuídas aos mestrados e doutorados após análise de indicadores referentes ao período avaliado. 

As notas 1 e 2 descredenciam o programa; nota 3 significa desempenho regular, atendendo aos padrões mínimo de qualidade; notas 4 e 5 significam um desempenho entre bom e muito bom, sendo 5 a nota máxima para os programas só com mestrado, enquanto as notas 6 e 7 são reservadas exclusivamente para os programas com doutorado.

Um programa com nota 6 ou 7 deve ter um nível de desempenho (formação de doutores e produção intelectual) diferenciado em relação aos demais programas da área e um desempenho equivalente ao dos centros internacionais de excelência na área (internacionalização e liderança). O que diferencia estas duas notas é o fato que na menor delas deve haver predomínio do conceito “Muito Bom” nos itens de todos os quesitos da ficha de avaliação, mesmo com eventual conceito “Bom” em alguns itens, enquanto a nota máxima exige conceito “Muito Bom” em todos os itens de todos os quesitos da ficha de avaliação. 

O objetivo da avaliação, segundo a Capes, é contribuir para a manutenção da qualidade de desempenho da pós-graduação brasileira; retratar a sua situação no triênio de forma clara e efetiva; contribuir para o desenvolvimento de cada programa e área em particular e da pós-graduação brasileira em geral; e fornecer subsídios para a definição de planos e políticas científico-acadêmicas de desenvolvimento e a realização de investimentos no Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG).

No documento da área Matemática/Probabilidade e Estatística os membros da comissão diretora destacam que a área alcançou elevado prestígio internacional e que houve um aumento significativo da atividade de pesquisa da área no Brasil.

Por outro lado, no mesmo documento, os membros da comissão alertam que a capacidade de formação do SNPG na área ainda está bem aquém das necessidades do País. O relatório, enfatiza, por exemplo, que o ritmo de formação de doutores – em torno de 120/ano atualmente –, é insuficiente para um sistema universitário que se encontra em rápida expansão e para as demandas do setor produtivo. E apontam as principais dificuldades:

  • poucos egressos da educação superior interessados na área de Matemática;
  • quadro dramático da formação matemática do cidadão brasileiro;
  • pouca interação entre as áreas; e
  • aproximação tímida com o setor produtivo e com outras áreas da ciência.

Análise quantitativa

Números informados no portal da Capes mostram que temos hoje no Brasil 3.733 programas de pós-graduação, sendo 309 deles em Ciências Exatas e da Terra (8,3% do total), ficando à frente somente de ‘Ciências Biológicas’ e ‘Linguista, Letras e Artes’, que representam 7,7% e 5,2%, respectivamente, do total. Porém, na Avaliação Trienal 2013, referente ao período de 2010 a 2012, foram analisados somente 3.337 programas, que compreendem 5.082 cursos, sendo 2.893 de mestrado, 1.792 de doutorado e 397 de mestrado profissional.

Segundo nota à imprensa da Coordenação de Comunicação Social da Capes, uma das conclusões dos resultados da Avaliação Trienal 2013 é que o SNPG teve crescimento de aproximadamente 23% no último triênio, sendo a região Norte a que teve maior crescimento de cursos de mestrado e doutorado, 40%, seguida pelo Centro-Oeste com 37% e Nordeste com 33%. Sul e Sudeste, regiões com maior número de programas de pós-graduação, tiveram crescimento de 25% e 14%, respectivamente.

Abaixo uma tabela com a distribuição, por grande área, dos cursos recomendados e reconhecidos pela Capes.

grande-area

Dos 309 programas da grande área Ciências Exatas e da Terra, 49 são na área de Matemática/Probabilidade e Estatística, sendo a maior parte deles, 37, em matemática pura.

A tabela abaixo subdivide os 49 programas em Mestrados (acadêmico e profissional), Doutorado e Mestrado Acadêmico/Doutorado. Note que o número de cursos, informados na terceira coluna, é dado pela soma de cada tipo. Por exemplo, os 40 Mestrados Acadêmico é a soma da linha dois (19) com a linha cinco (21).

mest-doc

Os três programas que possuem somente doutorado, são de universidades federais que possuíam apenas o Mestrado (acadêmico) e se uniram para criar um programa de doutorado conjunto. São elas: UFBA–UFAL; UFPA–UFAM; UFPB–UFCG.

Destes 49 programas, 4 deles não participaram da Trienal 2013, sendo um deles o programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT). Veja a nota de 3 de dezembro sobre a avaliação suplementar deste programa, realizada pela Capes.

A seguir se exibe na forma de infográfico a evolução da distribuição, relativamente aos dois triênios anteriores, percentual e numérica dos programas da área Matemática/Probabilidade e Estatística. A principal constatação é o bom aumento no número de programas da região Nordeste, o que refletiu num aumento de 5 p.p. na participação nacional, quando comparado com o triênio anterior.

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A região Sudeste mantem-se, desde a década de 90*, com pelo menos metade dos programas de pós-graduação em matemática do Brasil. A título de informação, 41% da pós em matemática brasileira está concentrada no eixo Rio-São Paulo.

O infográfico abaixo ilustra bem a distribuição atual, por estado, dos programas de pós-graduação em matemática, reconhecidos pela Capes.

mapa-pos

Análise Qualitativa

Segundo dados divulgados hoje, apenas 1,8% dos cursos avaliados em 2013 receberam conceitos 1 e 2. A maioria dos programas de pós-graduação tem as notas concentradas nas notas 3 e 4, onde se encontram aproximadamente 68% dos programas. Em relação a nota obtida na avaliação anterior, 69% dos programas manteve o conceito obtido em 2010, 23% aumentou de nota e apenas 8% diminuiu.

Para um análise detalhada dos dados gerais, sugiro a leitura deste documento.

Quando olhamos para os dados da área Matemática/Probabilidade e Estatística, vemos que nenhum curso avaliado recebeu notas 1 ou 2. Abaixo uma tabela com a distribuição numérica das notas das três últimas avaliações trienais.

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Porém, se queremos analisar a evolução da distribuição dos conceitos, então é melhor olhar uma tabela com a distribuição percentual das notas.

dist-per-notas

Notemos, primeiro, que 69% dos programas avaliados na última trienal têm notas 3 e 4, contra 57% na avaliação anterior. Porém, enquanto tínhamos 43% dos programas concentrados nas notas 5, 6 e 7 na avaliação anterior, hoje temos apenas 31%, apesar do bom aumento de programas com nota (máxima) 7.

Ainda em relação a nota obtida na avaliação anterior, 62% dos programas manteve o conceito obtido em 2010, 24% aumentou de nota e apenas 14% diminuiu. Consulte esta tabela para ver todas as notas da área, das duas últimas avaliações.

Para os dados referentes a produção bibliográfica, teses e dissertações defendidas e número de docentes permanentes, de cada programa, consulte esta planilha.

Saiba mais sobre a avaliação através dos Links abaixo


Nota de rodapé

(*) Não encontrei dados referentes à décadas anteriores.

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